03/12/2014

Interceptações telefônicas revelam elo entre facções de presos do RN e PR


Duas mil interceptações telefônicas, resultado de dez meses de investigações, contêm conversas que comprovam a existência de duas facções que ditam as regras e comandam crimes dentro e fora dos presídios do Rio Grande do Norte. As gravações também confirmam a existência de um elo entre mais de 150 presos encarcerados no sistema penitenciário potiguar e detentos do estado do Paraná.
As informações são do juiz Henrique Baltazar, titular da vara de Execuções Penais do Rio Grande do Norte.
O magistrado, juntamente com juízes das comarcas de Caicó e Currais Novos, ambas no Seridó potiguar, foi um dos responsáveis por autorizar as escutas que fazem parte das investigações da Operação Alcatraz, deflagrada na manhã de ontem terça-feira (2) em 15 cidades do RN e que também cumpriu mandados nos estados de São Paulo, Paraná e Paraíba.
A operação foi batizada de Alcatraz em alusão ao nome da penitenciária americana instalada na ilha de Alcatraz, que no início do século XX recebia os chamados chefões do crime organizado. Ao todo, foram expedidos 223 mandados de prisão e 97 de busca e apreensão. A operação conjunta envolveu Ministério Público, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal. No RN, os mandados foram cumpridos em Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Currais Novos, Caicó, Assu, Parelhas, Lajes, Jucurutu, Jardim do Seridó, Jardim de Piranhas, São Vicente, Acari, Cruzeta e Santa Cruz.
O magistrado revelou que, em média, foram autorizadas 200 interceptações por mês. "Os conteúdos das gravações ainda não podem ser revelados porque estão sob sigilo judicial, mas posso adiantar que os presos do Rio Grande do Norte, os que fazem parte de uma das facções, conversavam diariamente com presos do Paraná. Num determinado horário, eles faziam uma teleconferência por celular que chegava a reunir até 20 presos.
Depois de cada um se apresentar, eram repassados relatórios sobre a atuação da organização. Foram gravadas conversas nas quais eram planejadas explosões a caixas de banco, compra e remessa de drogas e aquisição de armamento pesado. Em uma das gravações descobrimos a encomenda de fuzis para serem usados em assaltos. Algumas mortes foram discutidas e executadas", disse Baltazar.
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