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19/05/2014

Paraplégico, bancário baleado por PMs em Natal cobra justiça

Bancário Hudson Pereira de Figueiredo ainda espera por justiça
Há um ano e sete meses o bancário Hudson Pereira de Figueiredo, de 32 anos, espera por justiça. Baleado durante uma abordagem policial, ele ficou paraplégico. O fato aconteceu nas proximidades da ponte Newton Navarro, na zona Norte de Natal. Era madrugada de 12 de outubro de 2012, Dia da Padroeira do Brasil, quando o carro do bancário foi cercado.
Ele dormia e acordou assustado. Ao arrancar com o veículo, vieram os tiros. Treze disparos atingiram a lataria do automóvel. Uma das balas atingiu a coluna de Hudson, que na hora deixou de sentir as pernas. "Não posso mais movimentar minhas pernas, mas é preciso que a Justiça ande. Os policiais que atiraram em mim me deixaram preso a uma cadeira de rodas", disse Hudson.

Um dos tiros disparados pelos policiais atingiu a coluna do bancário
Três policiais militares do Batalhão de Choque da PM (BPChoque) respondem por tentativa de homicídio. De acordo com o comandante geral da corporação, coronel Francisco Araújo Silva, os envolvidos na abordagem são soldados e foram afastados das ruas. Uma sindicância interna foi instaurada para apurar a conduta adotada. O procedimento ainda não foi concluído e aguarda posicionamento da Justiça. Enquanto isso, os três continuam dando expedientes administrativos.
A Justiça acatou a denúncia do Ministério Público em fevereiro deste ano. Desde então, os soldados Antônio César Xavier de Melo, Celinaldo da Conceição e Flávio Costa da Silva tornaram-se, oficialmente, acusados de tentativa de homicídio com dolo eventual, pois segundo a denúncia os agentes assumiram o risco de matar quando efetuaram os disparos contra o carro do bancário.
Segundo o juiz Rosivaldo Toscano, da 2ª Vara Criminal da Zona Norte de Natal, um dos policiais já apresentou resposta à acusação. "Determinei ao Comando Geral da PM que nos forneça os endereços onde os outros dois acusados podem ser encontrados para que sejam formalmente comunicados da acusação que pesa contra eles e possam ofertar suas defesas iniciais. Estamos aguardando o fim do prazo concedido à cúpula da Polícia Militar", explicou o magistrado.
Ainda de acordo com o juiz, existe a possibilidade de ainda este ano - caso as defesas iniciais dos três réus não sejam acolhidas - ser realizada a audiência de instrução e julgamento na qual o próprio magistrado determinará se os três PMs irão ou não a júri popular.
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